O cobre é daquelas cores que nunca passam despercebidas. É quente, sofisticado, ilumina o rosto e, curiosamente, favorece muitos tons de pele. Nos últimos anos tem sido uma das escolhas preferidas entre mulheres portuguesas que procuram pintar o cabelo de forma natural, sem recorrer a químicos agressivos.
Se a intenção é conseguir uma cor intensa e cheia de personalidade ou apenas reflexos subtis que tragam luz ao rosto, a henna cobre pode ser uma solução interessante. Quando combinada com diferentes plantas tintureiras, permite ajustar a tonalidade ao tom de pele de cada mulher, criando um resultado mais personalizado e harmonioso.
A henna cobre pertence ao universo das colorações vegetais. É obtida a partir das folhas secas e moídas de um arbusto chamado Lawsonia inermis, conhecido simplesmente como henna. Esta planta é utilizada há séculos para pintar o cabelo, pele e até tecidos, sobretudo no Norte de África e no Médio Oriente.
Ao contrário das tintas convencionais, a henna não contém amoníaco, oxidantes ou ingredientes sintéticos. O pigmento natural envolve a fibra capilar e liga-se à queratina do cabelo, criando uma camada de cor que reforça a estrutura do fio. Não clareia o cabelo, mas intensifica e transforma o tom base, adicionando reflexos quentes e luminosos.
É por isso que muitas mulheres com cabelo castanho conseguem obter reflexos acobreados naturais, enquanto em cabelos mais claros o resultado tende a ser mais vibrante.
Preparar a hena é um processo simples, mas exige algum cuidado. Coloca-se a quantidade necessária de pó numa taça de vidro ou cerâmica. Junta-se água bem quente aos poucos e mistura-se energicamente até obter uma pasta espessa e homogénea. A cor da mistura é esverdeada ou acastanhada.
Algumas mulheres optam por acrescentar algumas gotas de óleos essenciais, mas não é obrigatório. O essencial é que a pasta fique suficientemente cremosa para aderir bem ao cabelo sem escorrer.
A quantidade depende do comprimento e da densidade do cabelo:
Cerca de 50 g para cabelo curto
Aproximadamente 100 g para cabelo pelos ombros
Até 150 g ou mais para cabelo comprido
Se houver dúvida, mais vale preparar um pouco mais. A coloração vegetal funciona melhor quando o cabelo fica totalmente envolvido na pasta. Não convém poupar produto.
A aplicação deve ser feita com o cabelo seco. Divide-se o cabelo em secções e aplica-se a pasta com um pincel, mecha a mecha, garantindo que cada fio fica bem impregnado. A henna não deve ser simplesmente espalhada à superfície. O cabelo precisa de ficar literalmente envolvido.
Depois de aplicar, coloca-se no cabelo uma película aderente ou uma touca para manter o calor e potenciar o desenvolvimento da cor.
O tempo de pose varia entre 45 minutos e 1 hora. Quem prefere um cobre mais intenso pode prolongar um pouco mais. Em cabelos mais grossos ou resistentes, às vezes é mesmo necessário.
Após o tempo de pose, enxagua-se abundantemente até a água sair limpa. Não se deve efetuar nenhum champô. Finaliza-se com uma amaciador adequado à coloração vegetal, para facilitar o desembaraçar e selar o cabelo.
O resultado começa a revelar-se após a secagem, mas a cor estabiliza verdadeiramente nas 24 a 48 horas seguintes, à medida que oxida naturalmente.
Dentro da gama da Hairborist existem três pigmentos de henna cobre distintos. À primeira vista pode parecer apenas uma nuance diferente, mas na prática cada um cria um reflexo próprio no cabelo.
• Cuivre apresenta um cobre dourado intenso, luminoso e equilibrado.
• Indian Gold puxa mais para o laranja quente, mantém o dourado mas com um toque mais vibrante.
• Acajou revela um cobre avermelhado profundo, quase sanguíneo, mais marcante e expressivo.
Como estes pigmentos são compostos exclusivamente por henna pura, podem ser misturados entre si sem risco de reflexos indesejados. Não há incompatibilidades químicas nem surpresas metálicas ao sol, algo que preocupa muitas mulheres quando começam a explorar a coloração vegetal.
Imagine que aprecia o tom Cuivre mas sente que gostaria de um resultado ligeiramente mais intenso. Pode simplesmente acrescentar uma colher de Indian Gold à preparação. A cor ganha mais calor sem perder elegância.
Pelo contrário, se tem usado Acajou e sente que os reflexos estão demasiado vermelhos para o seu gosto atual, pode experimentar uma mistura equilibrada de 50% Acajou e 50% Indian Gold. Mantém-se a profundidade da cor, mas os subtons tornam-se mais dourados e suaves. É uma forma simples de ajustar a tonalidade sem mudar radicalmente.
Esta flexibilidade é uma das grandes vantagens de pintar o cabelo com henna natural. A cor pode ser trabalhada e afinada ao longo do tempo, respeitando sempre a base do cabelo.
Nem todas as mulheres procuram um cobre muito evidente. Há quem adore tons quentes mas prefira algo mais discreto, mais próximo de um castanho quente do que de um ruivo assumido.
Nesses casos, é possível combinar a hena cobre com plantas de subtom frio, sobretudo o índigo. O índigo tende a escurecer e a neutralizar os reflexos mais alaranjados. Quando se misturam pigmentos quentes da henna, que variam entre o laranja e o vermelho, com pigmentos frios do índigo, que oscilam entre o azul e o verde, surge uma paleta rica de castanhos quentes. Pode ir desde um loiro escuro quente até um castanho profundo e envolvente.
Entre as tonalidades frias frequentemente utilizadas para equilibrar o cobre encontram-se:
• Noisette, um castanho claro neutro
• Cold Chestnut, castanho frio com menos reflexo avermelhado
• Brun, castanho mais escuro e intenso
Aqui é fundamental manter equilíbrio entre quente e frio. Uma proporção mal ajustada pode originar reflexos indesejados, sobretudo em cabelos brancos ou muito claros. Se não tem experiência com coloração vegetal, o mais prudente será procurar um cabeleireiro parceiro da Hairborist habituado a trabalhar com henna e misturas personalizadas.
Quando bem feita, a combinação certa permite criar um castanho quente sofisticado, com profundidade e brilho natural. E essa nuance, muitas vezes, é o que faz toda a diferença no rosto.
Tal como acontece com as colorações de oxidação, a aplicação sucessiva de camadas no comprimento tende a intensificar a cor. No caso das misturas vegetais que incluem índigo, esse efeito pode até escurecer demasiado o resultado ao longo do tempo.
Convém saber que a coloração vegetal pode manter-se no cabelo durante cerca de quatro meses. Além disso, o brilho costuma permanecer bonito durante semanas. Por isso não é obrigatório reaplicar a henna no comprimento sempre que retoca as raízes.
Na prática, aplicar a henna cobre apenas na raiz na maioria das colorações ajuda a manter um tom uniforme entre raiz e pontas. Uma estratégia simples é esta: nas duas primeiras aplicações trabalha apenas a raiz. Na terceira coloração, estende a mistura ao comprimento para reavivar a cor e devolver brilho. Depois repete o ciclo. Um alongamento a cada três aplicações costuma ser suficiente para manter o cabelo luminoso e equilibrado.
Agora, se o objetivo for um cobre muito quente, intenso e marcante, então o alongamento joga a favor. Cada aplicação cria uma camada adicional de pigmento. Quanto mais frequentes e próximas forem as colorações, mais o tom se intensifica. Em termos simples, quanto mais regularmente aplicar no comprimento, mais intenso será o cobre.
A henna não é apenas uma solução para pintar o cabelo naturalmente. Também é um verdadeiro tratamento capilar.
Existe inclusive a chamada henna neutra, uma versão de coloração vegetal que praticamente não altera a cor mas oferece os mesmos benefícios estruturais ao fio. No caso da henna cobre, além dos reflexos quentes e luminosos, pode esperar melhorias visíveis na qualidade do cabelo.
Entre os benefícios mais relatados estão:
• Regulação do couro cabeludo, sobretudo em casos de oleosidade ou desconforto
• Brilho intenso e duradouro
• Cabelo mais forte e resistente às agressões externas como sol, poluição e calor do secador
• Mais volume e sensação de maior espessura
Ao contrário das tintas químicas, a henna não altera a estrutura interna do fio. Reveste-o, protege-o e reforça-o. A textura natural mantém-se. O ondulado continua ondulado, o liso continua liso. A diferença está no aspeto mais saudável e na luminosidade.
Se quiser ver resultados reais, vale a pena procurar exemplos de antes e depois nas nossas redes sociais. Observar diferentes bases de cabelo ajuda a criar expectativas realistas e a escolher a nuance mais adequada ao seu tom de pele e à sua base natural.

A sua coloração vegetal desvanece mais depressa do que esperava? Depois de sair do cabeleireiro, a cor estava intensa e brilhante, mas poucas semanas depois parece que se foi. Será que a coloração vegetal dura menos do que a química? Não necessariamente. Descubra as principais causas da perda de cor com henna e índigo (champôs agressivos, lavagens frequentes, cabelo poroso ou exposição ao sol) e aprenda que rotina adotar para manter uma cor intensa e luminosa durante mais tempo.

Uma coloração vegetal bem-sucedida não é apenas uma cor bonita no dia D. É um brilho que dura, reflexos profundos e um cabelo que se mantém solto e cheio de vida semana após semana. Mas, para preservar esse brilho, tudo depende da manutenção: champô, pH, cuidados e gestos do dia a dia. Descobre as melhores dicas para prolongar a tua coloração vegetal, evitar que desvaneça demasiado rápido e manter uma cor luminosa durante o máximo de tempo possível.

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